Pará mantém protagonismo nacional na mineração e impulsiona exportações em 2025
O Pará segue entre os principais polos minerais do Brasil e manteve, em 2025, papel decisivo na balança comercial brasileira. Embora não apareça mais isoladamente como primeiro colocado em todos os indicadores nacionais, o estado consolidou sua posição como segundo maior faturamento mineral do país, atrás apenas de Minas Gerais, e continuou tendo a mineração como principal base de suas exportações.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o setor mineral brasileiro faturou R$ 298,8 bilhões em 2025, alta de 10,3% em relação a 2024. Minas Gerais, Pará e Bahia lideraram o faturamento nacional, com participações de 39,9%, 34,5% e 4,5%, respectivamente. Com isso, o Pará respondeu por mais de um terço da receita mineral do país, reforçando sua importância estratégica para a economia nacional.
No comércio exterior, o setor mineral também manteve forte peso. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 431 milhões de toneladas de produtos minerais, movimentando aproximadamente US$ 46 bilhões, crescimento de 6,2% em dólar e de 7,1% em volume frente a 2024. O minério de ferro permaneceu como o principal produto do setor, responsável por 63,3% das exportações minerais brasileiras.
No Pará, a força da mineração continuou determinante para o desempenho da balança comercial. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), as exportações paraenses somaram US$ 24,23 bilhões em 2025, enquanto as importações chegaram a US$ 2,74 bilhões, resultando em superávit de US$ 21,49 bilhões. Com esse resultado, o estado manteve a 3ª posição nacional em saldo comercial, ficou em 5º lugar no ranking de exportações e permaneceu como líder absoluto da Região Norte.
O minério de ferro seguiu como o principal produto da pauta exportadora paraense. Em 2025, o item somou US$ 11,64 bilhões em vendas externas, apesar das oscilações nos preços internacionais. A alumina calcinada também teve destaque, alcançando US$ 1,89 bilhão em exportações, mantendo a relevância da cadeia do alumínio no estado.
A China permaneceu como o principal destino das exportações minerais brasileiras. Em 2025, o país asiático recebeu 69,2% do volume exportado pelo setor mineral do Brasil, reforçando a dependência das commodities minerais em relação ao mercado chinês.
Minério de ferro, cobre e bauxita sustentam liderança produtiva
A produção mineral paraense segue concentrada em substâncias metálicas de alto peso econômico, especialmente minério de ferro, cobre e bauxita. Dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), com base na Agência Nacional de Mineração (ANM), mostram que o Pará já havia alcançado em 2023 o maior valor de exportação de minérios entre os estados brasileiros, com US$ 15,7 bilhões, o equivalente a 43,5% do valor nacional exportado pelo setor naquele ano.
No minério de ferro, Minas Gerais e Pará concentraram 97,3% da produção nacional em 2023. A Fapespa aponta que a produção paraense cresceu 45,9% entre 2011 e 2023, passando de cerca de 0,1 bilhão para 0,2 bilhão de toneladas no período.
No cobre, o Pará também ocupa posição de destaque. Em 2023, o estado produziu 57,8 milhões de toneladas, o equivalente a 60,6% da produção nacional. Pará e Goiás, juntos, concentraram 91,6% da produção brasileira de cobre.
Já na bauxita, matéria-prima do alumínio, o Pará manteve liderança nacional expressiva. Em 2023, o estado produziu 42,1 milhões de toneladas, respondendo por 90,8% da produção brasileira.
Arrecadação mineral segue entre as maiores do país
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como royalty da mineração, também confirma o peso do Pará no setor. Em 2025, a arrecadação nacional da CFEM chegou a R$ 7,9 bilhões, alta de 6,2%. Minas Gerais respondeu por 45% do total recolhido, enquanto o Pará ficou com 39%, mantendo-se entre os dois maiores arrecadadores do país. O minério de ferro foi a substância com maior participação na CFEM, representando 69,1% da arrecadação.
Municípios paraenses como Parauapebas, Canaã dos Carajás, Marabá, Paragominas e Oriximiná continuam entre os principais polos da atividade mineral, concentrando grandes projetos, arrecadação de royalties, geração de empregos e investimentos em infraestrutura.
Investimentos e minerais críticos
O setor mineral brasileiro também projeta nova rodada de investimentos. Segundo o Ibram, a previsão é de US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, alta de 12,5% em relação à estimativa anterior. Desse total, US$ 21,3 bilhões devem ser destinados a minerais críticos, como cobre, níquel, bauxita, terras raras, grafita, vanádio, nióbio, lítio, titânio e zinco.
Esse cenário favorece diretamente o Pará, que possui participação relevante em minerais estratégicos para cadeias industriais, infraestrutura, energia e transição energética. O cobre e a bauxita, por exemplo, já estão entre os principais ativos minerais do estado.
Setor continua decisivo para a economia paraense
Com forte presença no comércio exterior, na arrecadação de royalties e na produção de minerais metálicos, o Pará reafirma sua condição de potência mineral brasileira. O estado não apenas sustenta parte relevante das exportações nacionais, como também mantém papel estratégico para o desenvolvimento da Região Norte.
O desafio para os próximos anos será ampliar a agregação de valor, fortalecer a indústria de transformação mineral, diversificar mercados compradores e garantir que a riqueza gerada pela mineração se traduza em desenvolvimento social, infraestrutura, inovação e sustentabilidade para os municípios mineradores.
Autoria: Redação
Imagem: Imprensa Amazônica / Divulgação