Belém reassume liderança do PIB municipal do Pará, enquanto interior mineral mantém peso decisivo na economia
O Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios paraenses voltou a evidenciar a força econômica do Pará, com destaque para a concentração da riqueza em Belém e nos polos ligados à mineração, aos serviços, à indústria e à agropecuária. A atualização mais recente do PIB Municipal, divulgada pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi lançada em 2025 e traz dados consolidados de 2023, devido à defasagem técnica de cerca de dois anos necessária para o cálculo do indicador.
A matéria original destacava que, em 2021, o PIB havia crescido nominalmente em 134 dos 144 municípios do Pará, com Parauapebas na liderança estadual. Na nova série divulgada pela Fapespa, o cenário mudou: Belém voltou ao topo do ranking municipal, impulsionada principalmente pelo setor de serviços, enquanto municípios de base mineral, como Parauapebas e Canaã dos Carajás, continuaram entre os maiores PIBs do Estado, mas sentiram os efeitos da desaceleração da indústria extrativa mineral.
De acordo com o boletim PIB dos Municípios Paraenses 2023, divulgado em 2025, o PIB do Pará alcançou R$ 254,54 bilhões em 2023. O resultado representa avanço em relação a 2022, quando o Estado havia registrado R$ 236,14 bilhões. A Fapespa também informou que o PIB per capita estadual passou de R$ 29.033, em 2022, para R$ 31.280, em 2023.
Entre os municípios, Belém liderou o ranking estadual, com PIB de R$ 40,53 bilhões, equivalente a 15,92% da economia paraense. Em seguida aparecem Parauapebas, com R$ 26,42 bilhões; Canaã dos Carajás, com R$ 16,62 bilhões; Ananindeua, com R$ 11,47 bilhões; e Marabá, com R$ 9,74 bilhões. Juntos, os cinco maiores municípios concentraram 41,17% do PIB estadual, somando aproximadamente R$ 139,7 bilhões.
A composição do ranking revela uma mudança importante na dinâmica econômica do Estado. Em 2021, Parauapebas ocupava a primeira posição, impulsionada pela indústria extrativa e pela valorização do minério de ferro. Já em 2023, Belém voltou a liderar, refletindo a força do setor de serviços, especialmente administração pública, comércio, atividades imobiliárias e demais atividades urbanas.
Segundo a Fapespa, a redução de dinamismo em municípios com forte dependência da mineração está ligada à queda no valor da produção mineral no período. Ainda assim, Parauapebas e Canaã dos Carajás seguem como polos fundamentais da economia paraense, ocupando a segunda e terceira posições no ranking estadual. O estudo aponta que a estabilidade do grupo dos maiores PIBs demonstra, ao mesmo tempo, o peso persistente da mineração e o fortalecimento das atividades terciárias na capital.
Ranking dos 10 maiores PIBs municipais do Pará em 2023
1º Belém — R$ 40,53 bilhões
2º Parauapebas — R$ 26,42 bilhões
3º Canaã dos Carajás — R$ 16,62 bilhões
4º Ananindeua — R$ 11,47 bilhões
5º Marabá — R$ 9,74 bilhões
6º Barcarena — R$ 9,19 bilhões
7º Santarém — R$ 8,68 bilhões
8º Castanhal — R$ 6,31 bilhões
9º Tucuruí — R$ 5,45 bilhões
10º Paragominas — R$ 5,30 bilhões
Os dez maiores PIBs municipais somaram R$ 139,75 bilhões, o equivalente a 54,90% da economia estadual. Apesar da concentração, esse percentual foi menor que o registrado em 2022, quando os dez maiores municípios respondiam por 56,78% do PIB paraense. A redução indica uma leve redistribuição da atividade econômica entre os demais municípios, que passaram de 43,22% para 45,10% de participação no PIB estadual.
No recorte do PIB per capita, Vitória do Xingu assumiu a liderança estadual em 2023, com R$ 255,46 mil por habitante. Em seguida aparecem Canaã dos Carajás, com R$ 215,64 mil, e Parauapebas, com R$ 98,64 mil. O levantamento mostra que os maiores valores per capita seguem concentrados principalmente em municípios ligados à mineração, à energia e a atividades industriais.
A desigualdade econômica entre os municípios, porém, permanece elevada. Enquanto Vitória do Xingu registrou o maior PIB per capita do Estado, Muaná apresentou o menor indicador, com R$ 10,23 mil por habitante. A diferença entre os dois extremos chegou a aproximadamente R$ 245,2 mil, evidenciando fortes contrastes regionais no desenvolvimento econômico paraense.
Economia estadual segue em expansão em 2025
Além dos dados municipais consolidados de 2023, os indicadores trimestrais mais recentes mostram que a economia paraense continuou crescendo em 2025. Segundo a Fapespa, o PIB do Pará avançou 7,85% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, desempenho superior ao crescimento nacional, que foi de 1,82%. No trimestre, o PIB estadual alcançou R$ 72,5 bilhões, equivalente a 2,2% da economia brasileira.
O resultado foi puxado principalmente pela agropecuária, pela indústria e pela construção civil. A agropecuária cresceu 30,22% no terceiro trimestre de 2025, impulsionada pela expansão da produção de milho, soja, mandioca e laranja, além da valorização do boi gordo. A indústria avançou 12,06%, com destaque para a construção civil, que teve crescimento de 71,28%, influenciada por obras públicas e privadas, especialmente as relacionadas à preparação de Belém para a COP30.
Com esse desempenho, o Pará mantém posição de destaque na Região Norte e reforça sua importância na economia nacional. A atualização dos dados mostra que o crescimento paraense é sustentado por uma combinação de fatores: força dos serviços em Belém e Ananindeua, peso da mineração no sudeste do Estado, expansão da agropecuária em diferentes regiões e investimentos em infraestrutura.
O novo retrato econômico do Pará revela, portanto, um Estado em transformação. A mineração continua sendo decisiva, mas os serviços, a construção civil, a agropecuária e os investimentos urbanos passaram a ter papel cada vez mais relevante na distribuição da riqueza entre os municípios.
Autoria: Redação
Imagem: Imprensa Amazônica / Divulgação